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sexta-feira, 6 de junho de 2025

Leão XIV e Petrus Romanus

No dia 08/05/2025 ocorreu a eleição do novo papa, Leão XIV, Robert Francis Prevost Martínez. Norte-americano que também tem nacionalidade peruana.
Pelo que parece, é o último da lista de Malaquias.

A profecia de Malaquias sobre os papas parece ter chegado ao final, com Leão XIV sendo Petrus Romanus. Mas será que o final da profecia é tão óbvio a ponto de mostrar o último tão facilmente?
Até alguns anos atrás achavam que o papa Francisco seria o último, até ser percebida a separação entre as duas últimas insígnias.

Agora que passamos por Francisco, uma brecha ficou visível: Antes de "Animal rurale" há um espaço em branco em um lugar onde poderia haver uma insígnia. Apesar de bagunçar as referências já existentes aos papas passados, pode ser uma chave para a não obviedade do final.




Apenas para reforçar a ideia, deveria haver uma insígnia naquele local da profecia, pois a primeira e terceira colunas estão preenchidas, portanto seu uso não teria como dar sequência aos nomes e confundir com o nome de um papa após Clemens VIII na segunda coluna. O espaço ficou intencionalmente vazio. 

É possível que, ao escrever as insígnias, o autor preferiu deixar em branco para não parecer continuação dos nomes papais, enquanto na terceira coluna esse problema não aconteceria. Essa casualidade é uma característica recorrente de profecias, a intenção ser diferente do resultado, para causar um efeito inesperado e não consciente.
 
Como análise, pode-se considerar a insígnia 247/93 como uma insígnia vazia para o papa correspondente, Bento XIV (1740–1758) / Marcello Lambertini, que atualmente é atribuído a "Animal rurale" (a qual passaria a ser de número 248/94 para o papa Clemente XIII (1758–1769) / Carlo Rezzonico).

Nessa lógica, reconhecendo essa insígnia no meio da lista, o atual papa Leão XIV torna-se o penúltimo da lista e durante seu papado se iniciará a última perseguição. 
Petrus romanus será o seguinte, que liderará entre muitas tribulações.

Quanto às insígnias alteradas de cada papa, é um exercício que não vejo necessidade de fazer aqui, pois parece que várias são fracas aproximações. Mas como exemplo:
1- De medietate lunæ - Do meio da lua - papa João Paulo II nasceu e morreu em dias de eclipses solares, a Lua passando no meio, entre a Terra e o Sol.
2- De labore ſolis - Do trabalho do Sol - Uma publicação menciona uma frase de Bento XVI que cita Dante, dizendo: "Deus é o amor que move o sol e as outras estrelas". Além disso, a astrologia de Bento XVI indica um Sol em trígonos exatos com Netuno e o Meio do Céu.
3- Gloria oliuæ - Glória das oliveiras - Ordem Franciscana, e particularmente São Francisco de Assis, possui uma relação significativa com oliveiras, que se manifesta através de diversas tradições e símbolos. Francisco de Assis, conhecido por sua profunda ligação com a natureza, frequentemente escolhia oliveiras para meditação e como local para se encontrar com Deus.


 

Dom Casmurro


O livro Dom Casmurro narra a história de um casal apaixonado cuja relação é abalada por uma possível traição. O marido, profundamente afetado, acaba se afastando da esposa e rejeitando o filho.

Trata-se das memórias do marido, Bentinho, escritas décadas após os acontecimentos, portanto a narrativa dependeu da sua memória e visão, pois relatou tudo sob sua própria perspectiva.
Bentinho relata impressões que, para sua infelicidade, sugerem que seu filho possa ser fruto de uma traição de Capitu com seu melhor amigo, Escobar, como a semelhança física entre ambos e um possível encontro durante sua ida ao teatro.

Além disso, Bentinho descreve a personalidade de Capitu: "olhos de cigana oblíqua e dissimulada", podendo indicar uma pessoa misteriosa, imprevisível, sedutora.
Sua própria personalidade transparece no texto: solitário, frágil, sem amigos.
Apesar das diferenças, estavam sempre juntos e se apaixonaram quando crianças.

Entre todos os indícios narrados, o que mais o perturba é a crescente semelhança física entre Ezequiel e Escobar. Bentinho menciona repetidas vezes como o menino lembra fisicamente seu melhor amigo, ainda que outras personagens não confirmem essa percepção. Esse detalhe se torna obsessivo em sua mente, funcionando como uma “prova íntima”, sem jamais ser confirmado. Ainda assim, essa impressão o persegue como um eco do que ele teme, mais do que ele sabe, e ajuda a alimentar a espiral de suspeita.

Com o passar dos anos, a situação torna-se insuportavelmente real para ele.  Capitu e Ezequiel mudam-se para a Europa, enquanto Bentinho se fecha na solidão.
Apesar das narrações, Bentinho nunca comprova a traição, mantendo a ambiguidade. Cada leitor interpreta os fatos à sua maneira.

            Mas qual seria o objetivo dessa ambiguidade? Para que deixar a dúvida no leitor?
Talvez porque a ocorrência ou não da traição não seja o objetivo do livro, e a certeza pode até atrapalhar, dependendo do que se pretende.

Justamente por não apresentar provas nem acusar diretamente, sua narrativa se aproxima mais de um desabafo íntimo do que de um julgamento. Ele insta as pessoas a entenderem o que um ciúme mal resolvido pode causar, visto que a sociedade cobra delas comportamentos que evitem até mesmo as aparências da dúvida.

Durante a leitura, destacamos a dúvida do ato em detrimento do efeito, embora este seja mais relevante para a interpretação, pois o casamento se destrói por uma obsessão, por uma sombra, e não necessariamente por uma realidade.

Vemos que Machado fez uma inversão de personalidades: uma mulher forte e atraente e um marido fraco e solitário.
Se Bentinho fosse de caráter forte, essa história não seria contada, não pela história em si, mas um homem seguro não seria destruído pelas circunstâncias. Poderia ter se casado novamente, seguindo com a vida, enquanto a mulher, ao ser abandonada, enfrentaria maiores dificuldades para recomeçar.

O fato dele ser vulnerável e sentir a situação na própria vida, fez com que percebesse e sentisse as consequências que normalmente recairiam sobre as mulheres.
Se o mesmo fosse escrito por uma mulher, a reação do leitor teria sido diferente, principalmente na época em que foi escrito.

Mesmo que inconscientemente, Bentinho exibe a própria fraqueza para o mundo. Isso exige coragem, ou possível resignação melancólica. Ele se mostra doente, ciumento, derrotado. Não tenta parecer justo, não tenta “vencer”, permitindo ao leitor observar as consequências emocionais e psicológicas de um amor corroído.

Portanto, a obra de Machado, apesar das interpretações usuais terem sido focadas em uma suposta traição por Capitu, apresenta uma essência psicológica relevante que usa essa desconfiança para outro fim: um alerta a pessoas vulneráveis sobre os riscos de comportamentos ambíguos num contexto social marcado pela rigidez moral e suas consequências.

Essa leitura se apoia em três pilares fundamentais:

O termo genérico "leitor" praticamente não foi usado. No seu lugar vemos "leitora", "leitor amigo", "avisa-me, leitor", expressões indicando um público definido para a sua história.
Essa troca não é casual, dirige-se ternamente às pessoas reforçando o apelo emocional do narrador e sugere que ele procura ser compreendido, não ser julgador nem julgado, mostrando os problemas advindos de uma situação conjugal conturbada.

A inversão de personalidade dos personagens é essencial para o objetivo proposto do livro, pois possibilitou-lhe entender a situação de uma pessoa vulnerável num relacionamento.

incerteza da traição é necessária para a análise da obra. Sem ela, o foco e o objetivo se desfariam: a traição concretizada daria razão a Bentinho, enquanto a comprovação do erro revelaria a sua paranóia, sendo as duas hipóteses pertinentes ao alerta principal.